quinta-feira, 8 de julho de 2010

Televisão

Afinal não foram tão poucas como parecia, as missas cantadas na/para a tevisão, mas em 20 anos a média não chega a uma por ano. A 7 e a 8 de Julho, respectivamente de 2002 e 2001, o coro cantou a Missa do XIV Domingo do Tempo Comum para a RTP2, nos Estúdios RTP 5 de Outubro. Fica o registo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Missa a 8

Procurámos sempre que houvesse uma articulação temática entre as diversas actividades do coro em cada ano e foi por isso que os workshops de 2008, tanto o de técnica vocal para coros como o de polifonia portuguesa, trabalharam reportório relacionado com a ligação entre Lisboa e Roma, tendo em vista a digressão do coro àquela cidade nesse mesmo ano. O III Workshop com o Prof. Owen Rees dedicou uma boa parte do tempo ao estudo da Missa a 8 vozes de João Rodrigues Esteves, peça que o coro dos participantes apresentou publicamente, na própria missa solene dos Jerónimos, dia 6 de Julho, ao meio dia.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Os nossos discos

Em quase 20 anos de existência, não se pode dizer que o coro tenha tido uma discografia significativa, pois gravámos apenas 3 CD e colaborámos na gravação de um outro da Escola Diocesana de Música Sacra do Patriarcado de Lisboa. Para os padrões de um coro de Igreja em Portugal não é assim tão pouco, mas para aquilo que era a actividade do coro, entre missas e concertos, para aquilo que foi o reportório activo do coro, podíamos ter gravado bastante mais.
Entre outros factores, o mais determinante foi sem dúvida a minha resistência às gravações. Sempre resisti a gravar. Primeiro porque me interessava o momento único e o contexto, com tudo o que tem de especial – o local, a acústica, os executantes, o público –, cujo encantamento se vai perdendo se o podemos recuperar uma e outra vez, sem limite. Depois porque achava sempre que as coisas ainda estavam longe de estar perfeitas. Podiam estar melhores, mais interessantes, mas nunca me agradavam a ponto de as validar como prontas.
A vida do coro era conquistada por entre as suas fragilidades. Numa missa ou num ensaio podiam estar reunidas as condições para executar esta peça ou aquela próximo da tal perfeição, se ela existe, mas nada garantia que essas condições de repetiam, fora da densidade de uma celebração ou da adrenalina de um concerto.
Sempre me parecia que a gravação era artificial, procurava recriar a realidade sem nunca o conseguir, e, para mal dos nossos pecados, permitia repetir essa tentativa vezes sem conta, ampliando a imperfeição e a falha.
Além disto, tinha e tenho as maiores reservas quanto aos meios técnicos de captação e reprodução sonora, e/ou aos meios humanos que as manobram, incapazes, a meu ver, de nos reproduzir o acontecimento real.
E, no fim de contas, tive sempre algum pudor em exibir o nosso trabalho sob este suporte, com todas as limitações que lhe via. A prova é que só foi feito propriamente o lançamento de um dos discos, precisamente a 5 de Julho de 2003, com direito a concerto e porto de honra, na mesma igreja em que tinha sido gravado.
Fazendo o balanço, talvez não tenha procedido bem, pois hoje olho para estes 3 discos, que são tudo o que nos ficou do coro, em matéria de som editado, como uma pálida sombra do que o coro cantou. Há umas gravações mais ou menos informais de concertos mas nada que valha a pena venerar.
O nosso primeiro CD surgiu na sequência de um concerto de Reis, dedicado a Natais populares da tradição europeia. O concerto tinha sido para coro, órgão, quinteto de metais e percursão, mas não havia orçamento para tanto, ao pensar numa gravação. Por isso fizemos o CD com coro e órgão, procurando um órgão de dimensões compatíveis com o orgânico que pretendíamos ‘simular’.
A própria questão do órgão era sempre uma limitação, pois na liturgia tínhamos apenas um órgão electrónico, que foi usado apenas em dois concertos, mas não fazia qualquer sentido gravar sem ser com um órgão real, acústico.
Esse 1º Cd, que tomou o nome do programa do referido concerto, foi gravado pelo Valentim de Carvalho na Sé de Lisboa, pois era ali que estava e está o único grande órgão, de conceito europeu, que Lisboa tem. Mas a Sé revelou-se um problema pois era permeável ao som da rua. Eléctrico a subir, eléctrico a descer, uma mota mais extrovertida e mais ainda os Santos Populares. A ideia era gravar antes das férias, já passado o ano escolar ou pastoral, conforme o gosto, mas gravar em Junho foi uma aventura. Até foi preciso pedir à Junta de Freguesia da Sé que baixasse o som dos arraiais no Campo das Cebolas, que subia até à Sé como sobe o ar quente. Uma aventura.
A simpática equipa de gravação podia ter sido mais diligente, não deixando as máquinas a gravar sozinhas, por exemplo, mas o 2º inferno foi mesmo passar aquelas horas da praxe no estúdio, onde foram muito mais colaborantes, mas onde não há muito a fazer senão ouvir vezes sem conta e escolher o mal menor. Não estava habituado e foi mais um contra a somar aos CD.
Passaram os anos e o 2º CD só saiu em 2003. O modelo do CD incluía órgão mas já só em alternância, pelo que se poderia mais facilmente escolher um órgão ibérico. Ouvira já entretanto falar de José Fortes. Quando me deu os primeiros minutos de teste a ouvir num estúdio improvisado à entrada da igreja, percebi que estava em boas mãos. E o profissionalismo que demonstrou a seguir, num trabalho metódico e exigente, aliado a uma afabilidade irresistível, reconciliou-me um pouco com os discos. Este, foi gravado na Igreja de S. Vicente de Fora, com boa acústica e menos ruídos exteriores (uma mota por outra e as carroças do lixo de um centro de limpeza próximo) e dedicado a temas marianos dos reportórios renascentista e barroco.
O balanço para o 3º teve de aguardar não só o entusiasmo mas também os recursos para o investimento inicial. Gravado no rescaldo da digressão a Roma e dedicado ao mesmo mote desta, demoraria bastante tempo a ser montado, e sairia já depois da Páscoa de 2009. O modelo era semelhante ao do 2º, com órgão alternado, mas com duas peças acompanhada ao órgão. O coro gravou no refeitório do mosteiro dos Jerónimos, que tem uma acústica com muito eco, tal como a da igreja. Aí se gravaram também as peças acompanhadas, com um positivo alugado para o efeito. Quanto às peças de órgão solo foram gravadas na Basílica da Estrela.
Colaboraram nestas edições discográficas o organista António Mota (1º e 2º CD) e o organista Sérgio Silva (3º CD).
O CD da Escola Diocesana tinha objectivos diferentes e uma linha própria. A música era do Pe. Teodoro Dias de Sousa, Director da Escola, que dirigiu o coro, e o órgão foi-me confiado a mim. Tratando-se do órgão Cavaillé-Coll da Igreja de S. Luís dos Franceses, onde o disco foi gravado, foi um gosto dar este modesto contributo.
Após a extinção do coro, os CD por vender foram oferecidos ao Lar das Irmãzinhas dos Pobres, em Campolide, juntamente com o pouco património que nos sobrou, a pensar no bem estar dos que aí vivem e no meritório trabalho desenvolvido por aquela instituição.
A parte mais dura destas gravações foi sempre o trabalho de audição, selecção e montagem. Nesta como em tantas outras tarefas do coro, foi preciosa a companhia metódica e persistente do Miguel, sem a qual teria ainda protelado mais estes registos. Mas ambos fomos compensados pelos animados jantares na casa da família Fortes, na qual estivemos várias vezes, por entre as concentradas horas e desoras no estúdio móvel, sob o céu estrelado do Oeste.

domingo, 4 de julho de 2010

Às moscas


O concerto que o coro deu no dia 4 de Julho de 1998 foi, sem sombra de dúvida, o concerto com menos público de toda a história do CSMB. Provavelmente a publicidade foi escassa, e a magnífica Igreja de S.Sebastião (antiga Igreja do Convento de S. Domingos), em Setúbal, estava 'às moscas’ a poucos minutos do início do concerto. Quatro a seis pessoas no máximo. Alguém do coro ainda me perguntou se cancelariamos mas eu, desde que fui a um concerto de órgão e trompete em que só havia mais um senhor na assistência (2 pessoas no público e 2 a actuar portanto), não me rendi a essa hipótese. E assim demos um concerto de 1 hora a cappella, com pouco mais de um ou dois cortes, para o estimado público que se deslocou aquela colina para nos ouvir.
Um ano depois, no mesmo dia do mês, cantávamos nas missas do XIV Domingo do Tempo Comum para RTP e RTPi nos estúdios da 5 de Outubro. Eu vi a cidade santa, Senhor que viestes e Da vossa santa morada de F.Santos, com O memoriale de G.P.Palestrina reencheram o programa.
A 4 de Julho de 2008, começava o III Workshop Internacional de Polifonia Portuguesa com o Prof. Owen Rees.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vestes corais

Um traço característico dos agrupamentos musicais (coros, orquestras, grupos de música de câmara) é a forma como se apresentam vestidos nas suas apresentações públicas, pois isso diz muito sobre a forma como encaram a sua actividade.
O Coro de Santa Maria de Belém tinha dois tipos de vestes corais, as que utilizava nos concertos e as que utilizava nas missas e outras celebrações litúrgicas. Só esta simples distinção já ilustra bem que para o coro estas actividades eram bastante diferentes, nos seus objectivos e na sua concretização.


Quanto às vestes de concerto, nada de muito significativo a registar. O coro começou por se apresentar de roupa escura, com as senhoras de preto e os homens de fato escuro.

O fato dos homens evoluiu para smoking (estreia num concerto em Santarém a 4.Out.1998) e o das senhoras, primeiro para um conjunto saia preta até aos pés e blusa cinza/prateada e já no último ano para um conjunto saia preta, com blusa preta e casaco azul dourado. Os modelos nunca são totalmente originais, há sempre uma inspiração e este último foi inspirado pelas roupas do RIAS Kammerchor de Berlim, embora se tenha trocado o bordeaux pelo azul do mar.


Até aqui, nada de muito diferente do que se passa com outros coros em Portugal. A diferença significativa veio com a introdução de vestes corais na liturgia.
Qualquer pessoa habituada a viajar não estranha minimamente que um coro se apresente numa igreja com vestes corais. Em qualquer país da Europa ou nos Estados Unidos, o que seria de estranhar é que um coro se apresentasse a cantar numa missa ou numas vésperas como se os seus membros fossem para o trabalho, para as compras ou para a praia. Qualquer pesquisa na internet comprova isto em poucos minutos. É só procurar o coro de uma catedral ou de uma igreja maior (e nalguns países também as pequenas igrejas do campo) e conhece-se logo uma diversidade de vestes …..
E foi precisamente pela importância da Igreja dos Jerónimos que demos esse passo. Sempre nos recusámos a ver os Jerónimos apenas como um monumento notável onde por acaso se celebram missas. Pelo contrário, e tendo como exemplo as boas práticas dos outros países, sempre ambicionámos para aquela igreja práticas eclesiais dignas daquele espaço único, para que atraísse não apenas pelo edifício mas pela qualidade da sua liturgia e de outras acções a ela ligadas.
Avançámos para as vestes precisamente aquando do restauro da capela mor onde o coro cantava. Durante o seu restauro cantámos na capela norte do transepto, mas constituía uma preocupação constante a forma como as pessoas se apresentavam ao domingo para cantar no coro, umas com roupas mais exuberantes, contrastando com as mais modestas, outras com roupa a menos… Quando a capela mor foi destapada e se apresentou em todo o seu esplendor, percebemos que não deveríamos voltar para lá vestidos desta forma.
Foi aí que se ousou inovar no contexto português, passe a imodéstia. As fontes de inspiração não faltavam, mas não queríamos adoptar os modelos mais tradicionalistas com batina e sobrepeliz. Fomos para um desenho muito próximo do utilizado pelos cantores da Notre Dame de Paris, com linhas sóbrias e optando não pelo azul, mas pelo vermelho, por nos parecer uma cor mais próxima do contexto litúrgico.

A ideia foi proposta ao coro com muita cautela, apresentando-se o modelo em plena capela mor, para um melhor entendimento do objectivo a atingir. Avançou-se também, como não poderia deixar de ser, com conhecimento e total aprovação do Pároco. A adesão de todos foi grande e a receptividade da comunidade foi bastante satisfatória.
Na altura tínhamos também consciência de que esta mudança tinha de ser compatível com o reportório, pois não fazia qualquer sentido colocar o coro num local específico, vesti-lo desta forma e depois cantar cânticos da assembleia.
E este é o ponto. Há quem não goste de fardas, porque lembram excesso de ordem, autoridade, etc. e há quem argumente que dão nas vistas. Mas, pelo contrário, os uniformes, tal como o nome indica, dão unidade à forma (não ao conteúdo) e têm o grande mérito de ilustrar facilmente a tarefa ou o papel de cada um. E quanto a dar nas vistas, os uniformes não permitem que se exibam diferenças de estatuto social, sinais exteriores de riqueza ou pobreza, etc. Só dão nas vistas na 1ª vez. A partir daí fazem-nos associar o significante e o significado – aquilo é o coro.
Mas o coro não faz parte da assembleia? Faz. Então porque é que se veste de uma forma diferente? Porque tem uma função diferente. O coro faz parte da assembleia na medida em que se forma a partir dela para enriquecer a sua participação na acção litúrgica, mas não faz o que faz a assembleia, faz mais, exerce um ministério litúrgico específico, que não é um adorno mas faz parte integrante da acção.
Por vezes referia-me às vestes do coro junto de um liturgista como as nossas vestes ‘para-litúrgicas’ (por oposição às vestes dos ministros ordenados), mas ele corrigia-me «as vossas vestes são efectivamente vestes litúrgicas porque estão associadas ao desempenho do vosso ministério litúrgico».
As vestes vermelhas foram estreadas em 2000, no dia do 10º aniversário do coro e a partir daí a imagem do coro de Belém passou a estar fortemente identificada com este elemento distintivo. Atendendo a que foram pensadas para aquele coro concreto e a sua interacção com os Jerónimos, passámos a usá-las também nos concertos nos Jerónimos, atendendo a que esses concertos tinham uma dinâmica de concerto espiritual, associada a uma quase ressonância da liturgia.
Guardadas na sacristia, sob a protecção de Santa Cecília, as vestes marcavam as fronteiras do entrar e do sair da acção litúrgica, a entrada e a saída do espaço onde a acção decorria, passando o coro a integrar também o cortejo de saída e algumas vezes o de entrada.
Nas actividades no exterior, a bagagem contemplava sempre as vestes de concerto e as vestes litúrgicas, controladas com listas, onde não faltavam indicações sobre a altura e a largura de reforços, solistas, etc.
Em todo este processo teve um papel fundamental a coralista Donna Howard, que desenhava e redesenhava as peças em função das ideias dadas e assumia depois toda uma zelosa vigilância sobre bainhas, ajustes e a limpeza regular da indumentária.

Polifonia portuguesa


No dia 2 de Julho de 2000, o coro cantou em duas missas do XIII Domingo Comum para a RTP e RTPi, nos antigos estúdios da Av. 5 de Outubro.
No mesmo dia do mês mas de 2006, cantava na missa solene dos Jerónimos o coro dos participantes no I workshop de Polifonia, que apresentou excertos das missas Dilectus meus de Filipe de Magalhães e Veni Domine de Duarte Lobo, as principais obras que trabalhou durante o fim de semana. Este 1º encontro terminou precisamente nessa tarde de domingo, com grande entusiasmo em repetir a experiência.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Missa Beata Vergine


No dia 1 de Julho de 2007, cantaram na missa solene os participantes no II workshop de Polifonia. Sob orientação do Prof. Owen Rees, este coro ad hoc, apresentou a belíssima Missa Beata Vergine, de Filipe de Magalhães, ilustrando assim parte do trabalho desenvolvido no workshop e dando à celebração uma qualidade musical de elevado nível.