quarta-feira, 31 de março de 2010

Step by step


No longínquo ano de 1994, o coro ia introduzindo algum reportório em latim nas celebrações. Nesse dia celebrou-se a Missa da Ceia e o coro cantou o modestíssimo motete O memoriale de G. P. Palestrina. A figura deste compositor, que a Igreja associou desde o Concílio de Trento à santidade e perfeição de forma que a Música Sacra deve ter, viria a ser também para o coro uma referência fundamental, pelo património que deixou e pelo testemunho. Step by step…

terça-feira, 30 de março de 2010

Westminster Cathedral


De amanhã a domingo, as notas neste blogue serão publicadas a partir de Londres, onde o autor destas linhas decidiu ir celebrar a 1ª Páscoa depois de 28 Páscoas consecutivas nos Jerónimos, onde teve acção directa na música litúrgica em mais de 150 celebrações do Tríduo Pascal.
A razão de ser desta nota prende-se com a influência da música coral inglesa, em geral, mas da experiência do Coro da Catedral de Westminster, em particular, na identidade do Coro de Santa Maria de Belém.
Convém não confundir com a Abadia de Westminster, que tem também excelente música, mas é uma igreja anglicana, com os seus ritos próprios.
Essa influência foi actuando directamente através dos inúmeros CDs do Coro da Catedral de Westminster no meu gosto e ideal vocal. Para além disso, estive várias vezes ao longo dos anos nesta catedral, em missas, laudes, vésperas, concertos, e habituei-me a seguir a vida da catedral através do seu site (onde aconselho vejam a dimensão do programa musical quotidiano) e através do blogue do seu anterior administrador, que diariamente partilhou detalhes da vida da catedral. E foi com enorme comoção que, há quase um ano, voltei à Catedral de Westminster, desta vez com o próprio Coro de Belém, dirigindo-o numa missa vespertina em que cantou no local exacto do coro que sempre segui e continuo a seguir.
Quem tenha ainda alguma curiosidade em saber porque cantava o nosso coro o reportório que cantava, porque usava as vestes que usava, porque cantava no local em que cantava, encontrará directamente em Westminster uma boa parte da resposta e em Regensburg (Baviera) também uma importante referência.
Mas a importância da Catedral de Westminster foi sempre tão determinante que quando, em Julho de 2009, fui a Fátima falar para coros no âmbito do Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, usei o exemplo desta catedral para falar da forma como a sua organização musical corresponde efectivamente às orientações do Vaticano II, em matéria de reportório, e falei também muito do lugar do coro.
Quem diria que um mês e pouco depois, seria por causa do lugar do coro que tudo começaria, ou mais propriamente, que tudo viria a acabar.
Nesta catedral, o coro é um coro de pequenos cantores. O canto do soprano é assegurado por 2 a 3 dezenas de crianças que vivem na catedral, com um regime de ensino integrado, e as restantes por cantores profissionais. O que é impressionante é que este coro canta nada mais nada menos que todos os dias na catedral, e na missa diária cantam gregoriano e polifonia (uma missa polifónica por dia) - geralmente o próprio em gregoriano e o ordinário de reportório polifónico. Aos domingos, é possível ouvir normalmente uma missa de Palestrina, Mozart ou de autores contemporâneos, pois a catedral tem o hábito de encomendar regularmente reportório para o seu coro.
E quem confrontar esta experiência com as recomendações da constituição conciliar sobre a Sagrada Liturgia, no que à Música Sacra diz respeito, não encontrará uma materialização tão fiel.
Algumas frases do maestro do Coro da Catedral de Westminster, Martin Baker, ajudam a perceber a organização espacial. Foram proferidas numa conferência que fez em Roma em 2005, nas Jornadas de Estudo no aniversário da Constituição Conciliar sobre Liturgia organizadas pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos:
• «Fazemos questão de assegurar que o coro é visto como parte integrante da liturgia. O coro e os ministros entram em conjunto enquanto o coro canta o introito gregoriano do dia. Os elementos do coro são vistos pela assembleia enquanto se dirigem ao local onde desempenham a sua função litúrgica. Através do canto na procissão de entrada, a própria palavra é iluminada pela música e pela acção. »
• Depois… «O coro canta num retro-coro atrás do altar principal, no extremo Este da Catedral. A música vem literalmente de cima, evocando a liturgia celeste. Vinda de trás da acção sagrada, a música ilumina e promove a comunicação entre o divino já que os homens se aproximam do divino através da beleza. E citando Radcliffe: A beleza não é a cobertura do bolo da liturgia, é a sua essência.»
• «O coro da catedral não poderia ser mais diferente de um coro de concerto. Enquanto que é visto no introito a caminho do seu local, não é completamente visível durante a missa e por isso não é uma distracção para os fiéis.»

Termino com o programa para os próximos dias na catedral…
Quinta Feira Santa: 18:00 Missa da Ceia: Missa Pange lingua Josquin; Dominus Iesus in qua nocte Palestrina; Ubi caritas Duruflé.
Sexta Feira Santa: 10:00 Ofício de Leitura: Eram quasi agnus Victoria; Iesum tradidit impius Victoria; Caligaverunt oculi mei Victoria; Christus factus est Anerio; 15:00 Solene Celebração da Paixão: Christus factus est Bruckner; Crux fidelis King John IV of Portugal; Passion according to John Victoria; Improperia Victoria; Civitas sancti tui Byrd; O vos omnes Casals; Lamentations of Jeremiah Tallis.
Sábado Santo: 10:00 Ofício de Leitura: Recessit pastor noster Victoria; O vos omnes Victoria; Sepulto Domino Victoria; Christus factus est Anerio; Office of Readings; 20:30 Vigília Pascal: Sicut cervus Palestrina; Exodus canticle Reid; Messe solennelle Vierne; O filii et filiae Baker; Dum transisset Taverner; Órgão: Incantation pour un jour Saint Langlais.
Domingo de Páscoa: 11:00 Missa Solene: Missa brevis Palestrina; Surrexit a mortuis Widor; Órgão: Choral-Improvisation sur le “Victimæ paschali” Tournemire. 15:30 Vésperas: Magnificat octavi toni Lassus; Moses and the Children of Israel Handel, Órgão: Paraphrase on Regina cæli Weitz. 16:45 Recital de órgão: J.S.Bach - Jesus Christus, unser Heiland BWV 665; C.Franck - Chorale No.1 in E major; Improvisation on Easter Themes.

E também algumas sugestões:
www.westminstercathedral.org.uk
www.choirschool.com

Santa Páscoa!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Laudate


Em 1998, o coro organizou um concerto nos Jerónimos para o qual convidou o Coro Laudate de S. Domingos de Benfica. Esse concerto teve lugar no dia 29 de Março, véspera de Domingo de Ramos. O coro de Belém cantou a 1ª metade do concerto, com obras de Palestrina, D.João IV, Menegali, Carlos Seixas, Z.Kodaly e J.B.Hilber. O Coro Laudate cantou a 2ª parte, com obras de Melgás, Pedro de Cristo e F. A. de Almeida. No final, ambos os coros cantaram em conjunto o Regina Caeli de A.Lotti e Tollite hostias do Oratório de Natal de C.Saint-Saens.

domingo, 28 de março de 2010

O canto da assembleia


Dia 28 de Março de 1999 foi Domingo de Ramos e, curiosamente (face ao post anterior), foi o último ano em que se usaram os cadernos completos de cânticos da assembleia para a Semana Santa. No ano seguinte, celebrar-se-ia o Jubileu do ano 2000 que justificou a publicação de um livro de canto para a assembleia que se usou nesse ano e nos seguintes.
Por vezes, ouve-se falar tão superficialmente sobre o canto da assembleia, que nem se chega a medir o que, de facto, se faz para que esse canto possa ser viável. No que respeita aos suportes em papel (folhas com pautas, cadernos, guiões…) o coro fez, de facto, muito.
Voltaremos a este tema.

sábado, 27 de março de 2010

Devagar se vai ao longe


Dia 27 de Março de 1994 foi Domingo de Ramos e o coro inaugurou o seu primeiro caderno completo de cânticos da assembleia para a Semana Santa. Falaremos, em breve, dos diversos suportes que foram sendo preparados, ao longo dos anos, para apoiar a participação da assembleia, tanto no canto directo, como no entendimento dos textos para coro solo. Nesta celebração, o coro cantou Adoramus te Christe de Fr.Rosseli, Gloriosa Cruz de Cristo de Manuel Faria e o hino em tríptico À entrada do Senhor de Ferreira dos Santos.
Na mesma data do mês, em 1997 era Quinta Feira Santa. Na celebração da Missa da Ceia o coro cantou, entre outras coisas, O salutaris hostia de F.Liszt e Ave verum corpus de E.Elgar.
Uns anos mais tarde, em 2005, era Domingo de Páscoa. O reportório da missa solene incluiu a Missa brevis St.Joannis de Deo para coro e pequena orquestra de câmara, o motete Regina caeli de João Rodrigues Esteves e o intróito e a comunhão correspondentes ao próprio gregoriano.
Em três celebrações, de três anos diferentes, é clara a lógica progressiva da intervenção do coro. Devagar se vai ao longe.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tempo de Páscoa

A 26 de Março, em pleno ambiente pascal, o coro apresentou-se em concerto na Sé Patriarcal de Lisboa, no ano 2000, no âmbito das já referidas Catequeses Quaresmais, com reportório alusivo ao tricentenário de Diogo Dias Melgaz.
Em 2004, no mesmo dia do mês, deu um concerto na Igreja de S.Domingos de Rana, organizado pela Câmara Municipal de Cascais e J.F.S.Domingos de Rana, com a participação do organista António Esteireiro
Em 2005, o Tríduo chegava à Vigília Pascal, onde se cantou o Alleluia – Confitemini Domino de G.B.Martini e o sempre desejado Sicut cervus de Palestrina.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Centenário de Rheinberger


Em 2001, o coro organizou uma série de 3 concertos comemorativos do centenário da morte de Josef Rheinberger, em colaboração com o organista António Esteireiro e outros instrumentistas, com a apresentação pela primeira vez em Portugal do Stabat Mater op. 138 e outras obras vocais e instrumentais.
Procurámos com este projecto, dar a conhecer o contributo deste compositor para a música sacra, campo em que a sua produção é mais significativa. Injustamente desconhecido, pelas circunstâncias em que trabalhou, com importantes papéis mas todos circunscritos à cidade de Munique e compondo nas vésperas de mudanças estéticas determinantes que viriam a abandonar linguagens como a que desenvolveu, Rheinberger reflecte influências de Bach, Mozart, Beetoven e dos primeiros românticos, produzindo um acervo de notável maestria técnica e um estilo nobre e sólido.
O primeiro destes concertos foi no dia 25 de Março, na Igreja de S. Vicente de Paulo (Bº da Serafina), no qual o Stabat Mater foi feito na versão coro e órgão. Destaque também para a apresentação por um semi-coro feminino da Missa puerorum Op. 62, e de excertos das Seis peças op. 150 para violino e órgão, com a participação de Viviena Toupikova. Miguel Farinha e Catarina Saraiva cantaram também a solo, respectivamemente, os motetes Ave Maria op. 140 nº 2 e Regina Caeli op 171, nº 1.
Os concertos seguintes foram na Igreja de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, e na Sé Catedral de Beja.
A 25 de Março mas de 2005, estávamos em pleno tríduo pascal. Era Sexta Feira Santa, e para além das peças já referidas para a adoração da cruz, cantaram-se responsórios de Frei Manuel Cardoso, Velum templi e Vinea mea.